6/27/2009

O desconhecido que desconhecemos...



O site da WGSN (Worth Global style Network) fundado em 1998 pelos irmãos Mar e Julian Worth tem o propósito de fornecer informações em tempo real para as indústrias que estão relacionadas direta e indiretamente com o universo de moda, estilo de vida e design. Para isso eles têm a serviço os "CoolHunters" (tipo sonho de profissão) para percorrer o mundo em busca de elementos que de alguma forma influencie o processo criativo e de desenvolvimento das futuras temporadas. Esses elementos são encontrados nas novas tecnologias, na música, no cinema, na cultura urbana, na literatura, e em muitas outras fontes de inspiração que óbvio são confidenciais.

São mais de 35.000 clientes espalhados pelo mundo, no Brasil são 125. Entre os clientes internacionais estão: Valentino, Armani, Zara, H&M e Givenchy. Entre os brasileiros estão: C&A, Grendene e Daslu.

A pesquisa de tendências é uma arte e não é qualquer um que saia por aí caçando coisas que vai encontrar o que realmente vale a pena. Pra quem não sabe estou a alguns meses para me tornar bacharel em marketing pleno e estou fazendo a minha pesquisa final sobre exatamente esse assunto: Pesquisa de Tendências.

A coisa é tão além do além que estou sugando o máximo de profissionais da área para conseguir a aprovação de um método de pesquisa criado por mim. Modéstia a parte, meu método facilita e muito as coisas, principalmente por ser quantitativo, característica bem rara nesse setor, onde tudo é achado, suposição e hipótese.

Trouxe esse assunto porque o ritmo das minhas últimas semanas foi bem intenso devido ao workshop da WGSN que ocorreu a quase três semanas no Cinemark do shopping Iguatemi. Como foram mais de duas horas de muita informação, farei um mega-resumo das palestras que foram divididas entre Sue Evans, diretora de tendências; Andréa Bisker, da agência brasileira MindSet; e o designer Marcelo Rosenbaum.

Sue Evans apresentou uma macro tendência para o segundo semestre de 2011, ou seja, coisas que talvez em 2012 comecem a aparecer por aqui - sim, a indústria do forwardness já esta pensando lá na frente - a “conexão”, que nada mais é do que já estamos bem acostumadas: twitter, facebook, youtube, etc…, tudo gerando informação para ser consumida instantaneamente. Aqui entra o documentário “Paris is Burning“, o livro “Tribes” de Seth Godin e a artista que interfere nas ruas e metrôs nova-iorquinos “Peru Ana Ana Peru”. Como isso interfere na produção pró-consumo???

Existe a mega possibilidade coisas que hoje são apenas sonhos venham a acontecer de fato, como compras pelo celular, check-in de aeroporto via bluetooth, compra de roupas antes mesmo de serem feitas, já que a linha de frente e a produção estará muito menos e bem mais integrada e afins.


Outras tendências apontadas foram de chamadas de microtendências, ou seja, são aspectos de campo menores e que talvez não atinjam o globo, mas poderá ser muito útil para alguns setores específicos. São elas:

1. Emotivo

É o novo conceito de luxo em que o mais precioso é o feito a mão, é a experiência do seu dia-a-dia sendo repassada para seu consumo. em outras palavras, é o fim dos RÓTULOS !
Além disso, outro aspecto importantíssimo é o “mood” do dia. O dia-a-dia interferindo em tempo real na composição de produtos, serviços e processos. Um bom exemplo disso é a marca japonesa Undercover que já trabalha com coleções que variam absurdamente de acordo com o clima de opinião e variações constantes de humor nas grandes cidades.
E também o livro “Envelopes” do Harriel Russel que cataloga os mais inventivos envelopes desenhados ou riscados pelo remetente e mostra como algo tão simplório pode criar novos produtos baseados nas emoções dos consumidores.

2. Inventivo

O que vale é criar com a imaginação dentro do conceito DIY “do it yourself”. Bom exemplo aqui é o documentário “Unordinary People”, de pessoas que quebraram as regras e criaram novas imagens. Outro bom exemplo é a exposição Tim Burton, em cartaz no MoMa, com croquis e desenhos e o doc impressionante “Made in Queens”.
Essa tendência deve aportar com mais rapidez no mundo globalizado que busca continuamente o individualismo, a customizãção.

3. Usável

É o uso prático e benéfico que recicla coisas que não usamos mais. Um exemplo maravilhoso (e que infelizmente não tenho a foto, porque é demais) é de um ponto de ônibus em Hong Kong com cadeiras que as pessoas não usam mais em suas casas. O resultado parece uma vitrine de antiquário!
Outro exemplo bacana é a loja londrina “School of Life”, que vale uma visita e boas horas no site. E até as grandes marcas já aderiram ao conceito: Balenciaga tem a linha “Balenciaga.Edition”, uma coleção garimpada nos arquivos da marca e a Nike que criou calçados de alta performance baseado em modelos de design super antigos do seu acervo, indo do slumdank até nike shox.

Ainda existem outras coisas que valem ser colocadas aqui mas precisam ser polidas pra entendimento geral, já que muitas são desconhecidas ou pouco informadas aqui no Brasil e haja Google para conhecer tudo isso.
Quero juntar tudo e mostrar com de fato essas pesquisas funcionam, fazendo uma linha do tempo para mostrar como coisas tão banais para nós vieram desse mesmo caminho, como o serviço de delivery, as mensagens de texto, as revistas especializadas e o fast-food gourmet.

Mas isso vai ficar pra depois da finalização do meu projeto, afinal não posso gastar quase dois anos de pesquisa em um só post por pura euforia.

Foto: WGSN.com
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