9/24/2009

A importância da cultura de moda pro mercado


Semana passada finalizei um projeto pra uma grande rede de lojas de departamento no Brasil sobre cultura de moda atual e as principais tendências de consumo que podem vir nesse caminho. A pesquisa mostrou dados interessantes que explicam bem o porquê não de existirem filas na porta da Louis Vuitton de SP como na de Osaka e porque as linhas assinadas duram meses na C&A e na Top Shop inglesa acabam em 20 minutos.

A explicação disso está na cultura de moda do país e dos desejos que inspiram os consumidores na hora de comprar roupas.

Pra começar, um mini-flashback de como surgir a moda:

O primeiro grande ícone de moda foi Luís XIV (o rei sol) no século XVII, devido a sua vaidade excessiva, através dele a França tornou-se o grande cenário ditador da moda, que no começo era instituída pelos nobres, os alfaiates apenas obedeciam a seus desejos. Porém após a segunda metade do século XIX a Alta Costura surgiu através do inglês Charles Frederic Worth, a partir daí a roupa passou a ser assinada pelo seu criador e ganhou nova dignidade, ganhou a cara do estilista. Depois disso vieram o sistema prêt-à-porter, responsável pelo sistema sazonal e pela massificação de qualidade, o surgimento das grandes magazines, sempre atendendo as necessidades da sociedade de acordo com suas modificações, e assim tem sido até os dias atuais.

A cultura muitas vezes é a resposta para sucessos e fracassos de grandes lojas, marcas e estilos no mercado, porque antes de se pensar em fazer um grupo de foco com clientes, estudar segmentação e buscar tendências no grandes bureaus e agências da área, a empresa deve pensar se a sua proposta está de acordo com a cultura da população. Esse, o maior desafio das empresas multi e transnacionais.

O Japão foi criado no sistema igualitário, tanto na estética (olhos puxados e cabelo lisos) quanto no sistema de governo e por isso, marcas, logomarcas e estéticas compráveis são buscadas freneticamente. Marcas com clima ocidental, que definem tribos e que valorizam status são muito requisitadas. Louis Vuitton, Gucci e Hermés são compradas como água. Listas de espera, filas nas portas e lojas lotadas marcam essas as lojas dessas marcas na terra do sol nascente.

A França respira moda a séculos e as marcas que respiram modernidade para nós, transpiram tradição para os franceses. As lojas nunca estão lotadas, os preços sempre são os mesmos (caros) e os clientes compram as roupas SEMPRE. São fiéis as marcas e buscam acima de qualquer coisa: QUALIDADE.

Ingleses e americanos, por mais distintos que sejam, possuem uma característica em comum que define muuuito as ações de grandes lojas e marcas de moda, O PREÇO !

Eles conhecem moda e sabem o que é tendência, mas não gastam um dólar a mais pelo status da marca (salvo os mavens e globaltrotters). Semanas de liquidação e outlets representam bem a relação dos consumidores desses países com a moda e a principal resposta de mercado pra isso, aliás, a melhor resposta na minha opinião já criada, são as coleções assinadas !

Criar uma coleção assinada por Calvin Klein para a Target ou Stella McCartney para Top Shop é buscar no âmago dos consumidores a melhor resposta de mercado, criando assim uma característica cultural desse país.

Os novos ricos, vulgo Brasil, Rússia, China e Índia, são muito amadores no quesito cultura de moda e ainda estão criando uma identidade de consumo e por isso mesmo, muito ainda se deduz nas ações de marketing.

Mas um pequeno perfil do brasileiro já pode ser mostrado, e a partir dele e do estudo dele, será possível, um dia, as marcas acertarem em cheio nas ações e na venda de moda.

CONSUMIDOR DE MODA BRASILEIRO: a possibilidade de parcelamento diminui a aversão a risco dos preços e o alto nível de consumo de mídia de massa, aumenta o consumo de tendências, gerando compras de alguns itens por meses e meses, muito depois do item deixar de ser tendência de moda, tornando-se tendência de rua. As marcas também sofrem do efeito de tendência e para uma marca pegar no Brasil, ela precisa produzir o item must have da estação. O efeito trickle down (tendência de moda de cima pra baixo na pirâmide) é a característica mais eminente, uma marca do pret-a-porter cria um item must-have, mas o brasileiro só vai correr atrás do produto ou deixar as prateleiras vazias quando ele for vendido pela loja de departamento famosa.

Muito ainda existe de informação sobre isso, mas o espaço do blog é pequeno e o estudo custou caro pra sair cuspindo tudo aqui. Aos poucos mais informações estarão disponíveis e as respostas de mercado vão aparecer aos poucos, algumas delas já estão por aí, basta prestar atenção !

Victor Hugo acha que o brasileiro é japonês, C&A acha que o brasileiro é americano, Ricardo Almeida acha que brasileiro é inglês e felizmente a Melissa já mostra ao mundo que o brasileiro é brasileiro mesmo !

E VOCÊ, SE ACHA PARECIDO COM O PERFIL DO BRASILEIRO OU É UM GLOBETROTTER ASSUMIDO?

dados sintetisados do portal wgsn.
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