11/04/2009

A FUTURA CARA DA WEB

Para finalizar a nossa parte, da In Search, no Relatório sobre o Futuro da Internet e a Chegada da Web 3.0, mostro a vocês o que nós, junto a Future Lab de Londres, concluímos ser as 12 principais tendências para a internet no médio prazo, ou seja, aquilo que em até 5 anos deverá ser amplamente visto por todos os usuários.

Estamos nos aproximando do final de 2009, e muitas pessoas estão se perguntando o que o futuro trará. Embora ninguém possa prever com certeza o que a Internet possui no seu futuro, nós encontramos os vetores e sinais que podem levar a direção certa.

Uma tonelada de novas tecnologias surgiram na última década e hoje algumas já estão maduras o suficiente para se espalhar por todo mundo nos próximos anos. Mídias sociais e aplicativos relacionados a elas são definitivamente a vanguarda da Web e vão permanecer assim por um bom tempo. Mas muitas outras tecnologias estão à beira de se tornar "mainstream", devido à maior aceitação social ou por causa dos avanços em hardware e aplicativos. Reunindo os melhores vetores em Tecnologia, Design e Movimentos Sociais-Antropológicos, descubra agora quais são as nossas apostas para o futuro da Web nos próximos 5 anos e algumas de nossas fontes para isso em um post looongo, mas pra ser arquivado e lido nos próximos 5 anos.

1.Pagamentos individuais para conteúdos de qualidade.
Algumas empresas já estão fazendo progressos na área de micro-pagamento. Muitos sistemas atuais acumulam um grande número de micro-pagamentos antes de utilizar pagamentos únicos. Mas isso pode mudar no futuro, você será capaz de passar de micro-pagamentos logo que você recebe-los, ao invés de ter que esperar por eles para somar.

Micro-pagamentos, provavelmente, serão populares entre revistas on-line e serviços de notícias, bem como outros fornecedores de conteúdo em profundidade. Micro-pagamentos também podem ser aprovados por artistas e criadores de conteúdo para adiar os custos e obter lucros.


A maior prevalência atual de micro-sistemas de pagamento estão dentro de MMORPGs (Massively multi-player online role-playing games). Estes sistemas de jogos usam créditos que são geralmente uma fração de um dólar para comprar e vender coisas em Games. Há inúmeros casos de pessoas que realmente ganhar a vida por meio desses sistemas.

Micro-pagamentos do futuro podem estar intimamente ligados aos sistemas de pagamento móveis. Pagamento via celular abre novas áreas de oportunidades econômicas, especialmente em em áreas onde os telefones celulares são mais predominantes do que computadores. Ser capaz de fazer e receber pagamentos muito pequenos, o equivalente a um dólar ou menos em muitos casos, através de um dispositivo móvel abre o caminho para muitas nações em desenvolvimento a participar da economia da Internet de uma forma que poucos anos atrás não teria sido considerado possível.

On Twitter by @mikaelgramont

iPhone, MySpace, Facebook Race to Micropayments in 2009 para a TechCrunch

2. Monitores mais largos para exploração de conteúdo horizontal
Monitores estão cada vez maiores. Apenas alguns anos atrás, o iMac vinha com um monitor de 15 polegadas. Agora, o menor possui 21,5 polegadas (e o maior é 27). A maioria dos novos computadores, mesmo os mais em conta, vem com pelo menos um monitor de 17 polegadas, e em muitos casos, 19 ou 20 é considerado padrão.


Praticamente disseminado no mercado estão as telas widescreen. Isto significa que mesmo os usuários de computadores médios têm muito mais espaço de tela disponível. Só que elas só fazem sentido se os sites adaptarem e fizerem mais uso de rolagem horizontal que vertical; no futuro veremos especialmente sites que tenham vários pequenos blocos de conteúdo, ao invés de longos trechos de texto.

Sites com rolagem horizontal já estão se tornando populares. Alguns usam JavaScript ou Flash para simular um layout de largura, enquanto outros utilizam HTML e o simples e velho CSS. Em qualquer caso, um layout horizontal faz muito mais sentido para certos tipos de sites, especialmente portfólios, galerias de mídia e sites que dependem mais do que o simples texto.

On Twitter by @wakeupstar.

The Horizontal Way - A showcase of horizontal-scrolling website designs como Estudo de Caso.

3. Formatos interativos para jornais, revistas e portais (Wiki, Video Digital, Etc.)
Há alguma dúvida quanto ao fato da maioria das revistas impressas vir mesmo a se tornar online em cinco anos? Novas revistas aparecem toda semana na web, muitas vezes com pouco ou nenhum aviso. E como podemos ser surpreendidos? Com dispositivos móveis agora completamente capazes de fornecer grande conteúdo, enquanto estamos em movimento. As revistas costumavam ser uma boa leitura barata que podíamos pegar para conferir as últimas tendências em um campo ou outro, ou de entretenimento rápido, mas a internet móvel faz tudo isso e muito mais.


Claro, isso não significa que não terá revistas em cinco anos, só que a maioria delas estará online, e elas têm conteúdo muito mais amplo do que apenas texto. Revistas serão infinitamente mais interativas, incorporando wikis, vídeos e áudios, e em muitos casos as suas próprias redes sociais.
Algumas revistas impressas já estão se preparando para a mudança e possuem sites que poderiam facilmente se tornar as próprias revistas. Toda uma nova geração de revistas on-line está aparecendo em uma variedade gigante de formatos. Alguns mantém as queridas páginas lançando o formato de impressão, enquanto outras têm apelado para o estilo livre e são mais parecidas com blogs. Seja qual for o formato, as versões digitais estão oferecendo conteúdos mais rápidos, mais baratos e mais user-friendly do que suas contrapartes impressas. A tendência é que a segmentação por nichos e assuntos continue, mas o espaço Web deve tornar isso muito mais amplo e profundo ao mesmo tempo.

On Twitter by @tomforeman

No Magazines Have to Die para a Al.Zeta

4. Conteúdo mais colaborativo e em tempo real – A exploração do Lifestream
A Web tem sido muito utilizada pelas pessoas para colaborar projetos com colegas ou clientes que não estão geograficamente próximos o suficiente para um encontro cara-a-cara. Mas, recentemente, a mídia social tem feito todo um novo nível de colaboração possível. Projetos de escrita são particularmente populares e parecem ter um bom resultado em uma variedade de plataformas. Romances foram escritos inteiramente no Facebook, com a contribuição dos leitores sobre o trabalho ainda em andamento (por exemplo, The Man Who Painted Agnieszka´s Shoes por Dan Holloway). Mesmo livros foram escritos por colaboração, os Audio Books da BBC já possuem histórias com a produção de vários Twitters.


Como a Internet de banda larga em todo o mundo se tornando amplamente disponível, projetos colaborativos só vão ficar ainda maiores e mais freqüentes. Atualizações em tempo real e a interação permitem trabalhar em praticamente qualquer coisa em um ambiente colaborativo. Alguns projetos serão compostos por pequenos grupos de pessoas que já conhecem uns aos outros, enquanto outros projetos reunirão centenas ou mesmo milhares de participantes que eram até então desconhecidos. Não há realmente nenhum limite para quantas pessoas poderão participar. A Tecnologia que habilita a colaboração tem crescido assustadoramente em poucos anos, desde o surgimento da web 2.0. O compartilhamento de arquivos tem sido quase sempre uma parte da Web, embora as novas ferramentas tornem isso ainda mais fácil e mais eficiente. Serviços como o Zoho e o Google Docs faz com que escritores colaborem em um único documento, o rastreamento de alterações por cada participante permite que outros acessem versões anteriores, se necessário. Outros serviços deixa que os usuários conversem em tempo real através de chats de vídeo ou áudio em um espaço de trabalho colaborativo.

On Twitter by @wakeupstar

5. Realidade Ampliada para Web Móvel
Dado que a maioria dos dispositivos móveis têm agora embutido câmeras digitais (alguns com capacidade de vídeo), as pessoas agora naturalmente querem funcionalidades que vão além da fotografia simples. Aplicações de realidade ampliada podem ter uma série de benefícios potenciais, tornando mais fácil algumas coisas do dia-a-dia como: encontrar o seu caminho se você se perder ou identificar a pessoa sentada na sua frente em uma festa.

Esse último exemplo, claro, envolve muitos aspectos de segurança que deixam os especialistas preocupados, mas de qualquer forma isso já é possível. Softwares de reconhecimento facial estão melhorando o tempo todo, e em breve, com um programa de realidade ampliada em seu telefone móvel será possível descobrir quem é qualquer pessoa no mundo. Você simplesmente tira uma foto de alguém, e os aplicativos desse sistema fazem uma referência cruzada com perfis de redes sociais e fotos em toda a Web. De lá, você poderá ver todas as informações que a pessoa tem disponibilizado publicamente em menos de 30 segundos.

Embora muitas pessoas ainda vejam a realidade ampliada como um material de ficção científica, a verdade é que pelo menos aplicativos um tanto quanto rudimentares já estão disponíveis. Layar, um aplicativo gratuito de realidade ampliada está disponível para o iPhone e Android. Ele usa camadas fornecidas por uma variedade de provedores de conteúdo como o Flickr, Wikipedia e Twitter para mostrar uma sobreposição de informações na tela do celular. Outros aplicativos provavelmente vão seguir esse mesmo modelo até culminarmos naquilo que até então só víamos em filmes de Sci-Fi.

Augmented Reality já está disponível na Wikipedia.

Augmented Reality: A New Way of Seeing para a Scientific American a muito tempo atrás.

6. Mais e Mais Aplicativos Sociais para o formato 3.0
Enquanto algumas pessoas acreditam que a mídia social tem ido tão longe quanto pode ir, outros acreditam que ele ainda está em sua infância. Eu penso que há ainda muito espaço para as novas aplicações, novas plataformas e novas idéias no mundo das mídias sociais. Uma área madura que pede melhorias e uma maior adoção do grande público é a dos mundos virtuais. As crianças de hoje utilizam os mundos virtuais desde sempre (Webkinz e Club Penguin), então eles provavelmente vão continuar usando-os quando adolescentes e adultos. Além disso, com os avanços da realidade virtual, mundos virtuais poderão vir ao pelotão de frente das mídias sociais e deixarem de ser a Carrie, a estranha do mundo desses aplicativos.

Outra área madura para a expansão e melhoria de agregação é o conteúdo. Enquanto alguns serviços lá fora, vão agregar a atividade de um usuário através de múltiplas redes sociais e sites, a maioria ainda tem muito espaço para melhorias. Eventualmente, os serviços não só vão agregar a atividade de um usuário através de todos os sites em que participa, como já faz o Tumbrl por exemplo, mas irá também apresentar informações úteis para os seus seguidores, já que hoje ainda é impossível segmentar o conteúdo postado por um usuário.

Nichos de redes sociais também continuarão a crescer. As redes sociais existem em praticamente todos os nichos, e isso ainda vai muito longe. Serviços como o Ning e plataformas como Elgg tornaram mais fácil para os não-programadores criar as suas próprias redes sociais rapidamente e facilmente. Muitas corporações, organizações e grupos criam redes sociais para os seus clientes e membros.

The Social Future for Web 2.0/Web 3.0 - o estudo da migração do 2.0 para o 3.0

7. Alta Definição Online para programação virtual
Dr. Horrible's Sing-Along Blog pode ser creditado com o primeiro a trazer programação on-line de qualidade para o mainstream. Embora muitos programas na Internet já existiam antes disso, Dr. Horrible rapidamente ganhou um status cult e fez a transição para a mídia. Mesmo com o fato de Joss Whedon, Neil Patrick Harris e Nathan Fillion estarem envolvidos, grande parte do sucesso do show preparou o caminho para menos conhecidos diretores, atores, escritores e produtores que ganharam grande exposição online.

Desde que o Dr. Horrible, um número de série online e outros programas ganharam audiência, Webisodes (que são geralmente mini-episódios de séries populares de TV, que são transmitidos exclusivamente online) também têm crescido em popularidade. Embora seriados on-line ainda estejam em sua infância, vários blogs de vídeo informativo tem produzido algo semelhante a algum tempo, como a TreeHugger TV e CNET. Um dos mais populares programas de ficção é o amador Star Trek New Voyages, baseado na série original de Star Trek.

Com a tecnologia de vídeo cada vez mais barata e mais fácil de usar, e o acesso à Internet de banda larga cada vez mais generalizado, a Internet de alta qualidade e os programas vão se tornar mais famosos no futuro.

8. Aplicativos da Web participando da nossa rotina
Aplicativos na Web já desempenham um papel importante no cotidiano de muitas pessoas. Mas, como algumas aplicações que até então, só existiam offline se tornando online, mais usuários se voltarão para os aplicativos da Web, quase que exclusivamente.

Um dos principais fatores responsáveis por essa tendência é o amplo acesso à Web móvel. Ser capaz de acessar documentos importantes ou executar tarefas em aplicativos de negócios de qualquer lugar é uma grande vantagem para muitos usuários. Um monte de oportunidades se abre para os trabalhadores-móveis, que deixarão de ser vinculado a um único local, ou mesmo a um único computador.


Claro, há desvantagens potenciais para aplicativos na Web. Já houve casos de aplicativos ou serviços que perderam todos os dados dos clientes na rede. Inatividade é outro fator importante que pode ter um enorme impacto sobre a produtividade se backups offline não estivem disponíveis, já que por mais incrível que a web seja, ela é e será por muito tempo, instável. Até que esses obstáculos sejam superados, aplicativos baseados na Web continuarão a enfrentar resistência para funções críticas do dia-a-dia, mas cabe aos inovadores dar o primeiro passo.

On Twitter by @dougoftheabaci.

The Future of Web Apps: 7 Things Companies Must Do to Succeed para a Mashable

9. Diminuição da importância do SEO - Search Engine Optimization
Search engine optimization pode tornar-se menos importante no futuro, já que usuários de Internet poderão confiar mais em recomendações e as mídias sociais existentes para encontrar a informação desejada. As pessoas já estão fazendo perguntas ao Twitter e Facebook sobre seus temas desejados, ao invés do próprio Google. Isto significa que o conteúdo de alta qualidade e facilidade de uso se tornem cada vez mais importantes no futuro, porque os usuários estão mais propensos a recomendar um site se eles tiveram facilidade de encontrar o que queriam de forma mais rápida. Além disso, os motores de busca serão mais inteligentes, o que significa que você será capaz de discernir melhor a utilidade de uma página Web para um determinado usuário, a parceria do Twitter com a Google já mostra que isso não demorará a acontecer.


On Twitter by @seokai.

10. Sistemas Operacionais Online
Enquanto hoje o computador ainda armazena alguns arquivos, o futuro do sistema operacional irá depender cada vez mais da Web para isso. Em outras palavras, sem uma conexão à Internet, a funcionalidade do computador será severamente limitada.


Google Chrome OS parece ser o primeiro competidor sério nesta área. Jolicloud, que eu já uso aqui na agência, é um outro Sistema Operacional de Web, desenvolvido especificamente para os netbooks. Ambos os sistemas operacionais parecem ser destinados especificamente para portáteis de pequena capacidade, onde os seus benefícios parecem ser mais óbvios. Para PCs e Laptops a coisa pode ser um pouco mais lenta, já que abusam um pouco mais dos programas utilizados neles. Pode demorar um pouco até termos Photoshop ou Dreamweaver em Sistemas Operacionais de Web.

11. Interfaces customizadas ao usuário
Os aplicativos da Web se tornaram mais integrados em nossa vida diária, interfaces de usuário personalizadas seguirão certamente esse caminho. Ser capaz de adequar a experiência do usuário para uma de suas preferências é uma enorme vantagem para muitos usuários da Internet. E alguns sites já permitem que você personalize a informação que você vê, como você vê e até mesmo como você interage com ela.


Plug-ins já são usados por programadores para personalizar a interface de muitos sites que usam. Greasemonkey para Firefox (e para alguns outros navegadores) é um plug-in que permite personalizar a funcionalidade e a aparência de muitos aplicativos da Web e sites.

On Twitter by @verseijden

12. A Web como centro de informação e distribuição de conteúdo
Isto, em grande parte, já está se tornando realidade. A Web tem sido quase sempre uma grande ponte de distribuição de informações. Mas isso só tende a crescer no futuro. Editores, produtores de mídia e outros criadores de conteúdo já estão se voltando a Web para obter os seus produtos para um público maior. Dentro dos próximos anos, a web pode substituir completamente os métodos mais tradicionais de transmissão de conteúdos.


Jornais e revistas provavelmente deixarão de ser a primeira mídia, perdendo lugar para a Web. Não muito atrás virão a TV e os filmes. Os cinemas provavelmente não serão totalmente substituídos pela Web tão rapidamente, já que a experiência ainda conta muito nesse ponto, mas é fato que mais pessoas certamente irão alugar e comprar online em vez de DVDs e outros suportes físicos.

Os livros são uma história diferente, eles têm valor sentimental. Do ponto de vista prático, e-paper (como o usado no Kindle e outros e-leitores) não são realmente muito diferente do que o papel real. Mas do ponto de vista psicológico, a diferença é muito grande. Claro, isso não vai impedir a internet de ter um papel cada vez maior na distribuição de livros, o mercado de e-books vai continuar crescendo nos próximos anos. Com os leitores mais jovens optando por eles desde hoje, o futuro já é bem previsível. Versões em papel dos grandes best-sellers podem ser adquiridos como edições de colecionador, e os e-books se tornaram o material de leitura diária.

Essa migração para a Internet continuará a afetar profundamente como a mídia é produzida e consumida. Meios de comunicação tornam-se mais interativos e colaborativos, e por causa da baixa barreira à entrada de novos usuários em praticamente todos os métodos de produção e distribuição de conteúdos, a mudança de paradigma deverá acontecer nos próximos dois anos, afetando muito mais do que apenas a forma como a informação é divulgada e sim a própria informação divulgada.

On Twitter by @cmachanic.

Who Killed the Newspaper? para o jornal The Economist

Agradecimentos: Equipe SEEDS da In Search; Cameron Shapman da Future Lab; Oi! Telecomunicações e ao portal LC:N
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