8/26/2007

O restrito cotidiano do universitário

Por Tiago Ferreira da Silva

Exercitar é preciso. A inexistência de um jornal experimental não só impossibilita a prática dos alunos na escrita jornalística, como faz com que os universitários fiquem cada vez mais distanciados sobre os acontecimentos, tanto do Brasil e do Mundo, como mínimas interferências ocorridas no ambiente em que estudam.

Isso descontextualiza toda a representação da palavra Universidade, que deveria ser âmbito de experimentações, inúmeras discussões e interpretação visionária da realidade, para passar a ter o significado de presídio; pois, geralmente, o formando sai de casa ou do serviço em direção à faculdade para sentar na cadeira, escutar o que o professor tem a dizer e empenhar-se em tirar boas notas para não ficar dependente em alguma matéria.

Ou então para conversar com os amigos sobre a última balada que fizera, deixar de ir à aula para tomar cervejas no bar próximo e exercitar o dom da paquera, se encaixando na estatística de jovens que (simples e unicamente) são universitários.

Estudar é muito bom, descontrair-se, melhor ainda. Mas limitar a isso condiz em enquadrar-se no contexto de Universidade como presídio.

Isso leva a pensar: para que vir à faculdade? Pago um grande valor na mensalidade apenas para sentar na cadeira, estudar para as provas durante três ou quatro anos para ter em mãos o tão sonhado diploma?

Não se pode negligenciar que o objetivo-mor possa ser esse. Porém é um contra-senso imaginar que restringir-se dessa maneira o fará futuramente um bom profissional. Pelo contrário, só o faz mais um concorrente disputando uma boa vaga no sistemático mercado de trabalho.

A tentativa de fugir do estereótipo propicia levantar outro questionamento: faço faculdade apenas para ingressar no mercado de trabalho? Invisto uma absurda quantia somente com a esperança de ser ressarcido ganhando um ótimo salário? E o conhecimento? E a bagagem cultural? E a troca construtiva de idéias com o fim de ter uma vida mais sociável e reflexiva?

É indubitável levantar essas indagações para despertar a vontade de fazer da Universidade um ambiente de grandes experimentos e trocas quantitativas, com o fim de se tornar mais pró-ativo e estender o sentido da palavra universo - algo cada vez mais distante dos universitários.

Ampliar os conhecimentos é fundamental. Falar sobre problemas que ocorrem na sociedade, ter o altruísmo de iluminar a mente de outrem, ter noções dos conflitos para buscar uma alternativa viável com o objetivo de melhorar algo que está errado, são ações possíveis dentro de uma Universidade.

Para tanto, a informação e a capacidade de reflexão são imprescindíveis para estimular o interesse de mudar. Devemos ter a visão além do alcance para interpretar os fatos do cotidiano e compreender situações mais complexas, não apenas ver o muro da Universidade como empecilho para ampliar o saber.

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