10/26/2007

A FUNÇÃO DE UMA VITRINE



A motivação pelo consumo não pode ser definida por uma palavra. De uma forma geral, a motivação é tudo o que nos projeta a fazer ou querer coisas que não temos. Em palestra no 2º Seminário de Comportamento e Consumo, que aconteceu no Rio de Janeiro, o economista George Homer mostrou como as empresas usam esta motivação para adquirir mais clientes e aumentar o grau de valores agregados à marca.

Quando há uma compra, a indústria e o varejo vendem um produto ou serviço com algum tipo de valor agregado. Para o consumidor, este produto significa mais. Seus sonhos, desejos, sentimentos e necessidades podem estar reunidos neste objeto. Todo desejo normalmente trás com ele a idéia de novidade. Desta forma as lojas devem rever também o seu interior, pois seu espaço físico é de extrema importância para a decisão de compra.

O processo de mudança de uma loja deve ser visto como uma multi-dimensionalidade da marca, que oferecerá novas experiências para o cliente. Neste sentido, vale explorar qualquer ferramenta para trazer o consumidor para mais perto da marca. Cores, formas, aromas e sons devem ser explorados para conseguir passar a experiência de marca para os consumidores através do seu canal de distribuição: as Lojas !

Pontos de contatoA motivação de consumo segue uma linha de diversas vertentes, além dos sentidos. Muitas empresas investem cada vez mais em suas lojas para que elas possam oferecer esta motivação ao consumidor de forma sutil. Nestes espaços, as marcas proporcionam experiências reais com seus produtos, como paredes de escalada para testar os equipamentos que são vendidos na loja. Esta é uma demonstração que motiva a compra assim como uma degustação de produtos alimentícios. O trabalho de vitrinistas e stylists hoje estão cada vez mais focados em interior de loja e o chamado BrandConcept, que tenta trabalhar de forma integrada vitrine, interior de loja, provadores, as peças vendidas e se possível os vendedores para transmitir o conceito da marca.

Um eterno conflito entre os casais é quando fazem compras em shoppings centers. Enquanto elas gostam de olhar cada vitrine, os homens preferem ver TV, comer, beber ou descansar. Para trabalhar com perfis diferentes sem estragar o ambiente favorável ao consumo. Grande parte das pessoas ficaria mais tempo dentro da loja se o ambiente fosse mais convidativo e os chamados "acompanhantes" dos compradores devem ter a sensação de amistosidade na loja. Lojas como a Pelu, Tommy Hilfiger e Clube Chocolate colocaram dentro de suas lojas espaços que nãosão direcionados a venda, mas ainda assim transmitem o conceito da loja. Bares, Cafés, Lounges e Espaços Interativos são formas de harmonizar o espaço da loja entre uma compra e outra.

Muitas vezes o cliente vai a loja e não efetua a compra, apenas disfruta do espaço, mas isso já é mais do que o suficiente para que ele volte a loja outras vezes e efetue compras. "A cliente chega querendo saber das novidades, pra conversar com as vendedoras ou apenas tomar um café, a loja não é apenas um local de vendas e sim um local de relacionamento da marca com a cliente." me disse Fernanda Boghosian, diretora da Versace/Versus e Roberto Cavalli no Brasil.

É crescente o número de estabelecimentos que procuram inovar para motivar seus consumidores, mas inovar não significa aumentar o espaço físico. Lojas grandes demais mas pouco ocupadas com peças, cansam o cliente, o seu foco é apenas em atravessar e chegar do outro lado o mais depressa possível.

Tendências
O grafismo é uma tendência e algumas lojas já usam, como a Ellus, a Adidas e a Daslu. Outra aliada fundamental da motivação é a tecnologia. Hoje é possível que o consumidor entre no provador e veja como ficará a cor da roupa durante a manhã, tarde e à noite como ocorre na Maria Bonita Extra, apenas utilizando-se recursos de iluminação. A Puma criou uma loja onde o consumidor pode montar o seu próprio tênis, de acordo com suas preferências. a Vivo, Sansung e Nike Store criaram espaços interativos onde o consumidor consegue absorver informações da marca, ver catálogos e explicações claras e precisas do produto.

Um exemplo internacional,a marca de chocolates M&M desenvolveu a sua vitrine com base nos produtos em tamanho natural, aumentados por uma lente, mostrando seus personagens das campanhas em situações diversas. "Todas as pessoas querem ter coisas pra contar depois de uma visita a uma loja, querer experiência acima de tudo." me disse Daniel Ueda, diretor da FashionConcept, empresa de vitrinistas e designer de loja de moda de São Paulo.

As funções de uma vitrine precisamente são: atrair o cliente, passar a imagem da loja e comunicar o que está acontecendo dentro da loja. O consumidor precisa passar em frente a uma vitrine, parar, olhar atentamente e dizer UAU!!, pronto o trabalho dos vitrinistas e stylists já foi recompensando!

Todos os comentários foram cedidos gentilmente e com permissão para serem expostos nesse blog. Agradecimento especial a FashionConcept e o diretor Daniel Ueda pelas informações liberadas.
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